Dirigido por David Gordon Green (Halloween Kills), O Exorcista: O Devoto é o retorno de uma das maiores franquias de terror da história. No entanto, a expectativa em torno da volta não condiz com o trabalho entregue.
O filme original de 1973 foi um projeto revolucionário para o gênero, não só no quesito visual, que era algo muito chocante para a época, mas também para a construção de um clima sobrenatural e aterrorizante. Muito disso acontece por meio da relação entre a mãe e a filha, onde uma se desespera para salvar a outra de algo que a ciência não consegue explicar, apenas a fé cristã.
O projeto tenta recriar tudo isso, buscando ser um soft reboot para atrair um novo público, tal qual Pânico 5. Desta vez acompanhamos duas amigas, interpretadas por Lidya Jewett (Good Girls) e pela estreante Olivia O’Neill, onde cada uma, após três dias desaparecidas, começam a mostrar comportamentos estranhos como se não fossem mais elas mesmas. Agora os pais de ambas buscam curá-las de algo que não compreendem.
Sabendo disso, digo que o filme de 2023 tenta usar muito o projeto original como base, mas como se fosse maior, já que agora temos mais uma garota possuída. Contudo, apesar de tentar aumentar o escopo, a história fica apenas na tentativa, onde não consegue transmitir o clima de terror, não só das possessões, mas também do medo dos pais com que suas filhas estão passando.
Enquanto a personagem de O’Neill praticamente não tem a relação com seus parentes explorada, a garota vivida por Jewett e seu pai interpretado por Leslie Odom Jr. (Uma Noite Em Miami) já possuem uma base mínima para tal. Contudo, o que era para ser algo bem mais emocionante, visto que o passado de sua falecida esposa é algo que assombra ambos, no final é apenas um detalhe subaproveitado.
Tudo isso faz com que o espectador não se sinta envolvido emocionalmente com praticamente nenhum personagem, seja os pais desesperados com suas filhas, ou até mesmo com as garotas. Não é à toa que o roteiro traz as protagonistas do filme original de volta, onde com isso tenta fazer com que a presença da Linda Blair (Ruas Selvagens) e Ellen Burstyn (Réquiem para um Sonho) traga uma maior carga dramática a narrativa, e, obviamente, um fan-service.

Além de tudo isso, a direção de David Gordon Green deixa a desejar na construção de cenas assustadoras e chocantes. No final, o projeto, nesse quesito, é apenas mais um filme que tenta lhe assustar com jumpscares, e se apoia bastante nas maquiagens clássicas do filme original, e nem tentam buscar um acréscimo para o repertório visual da franquia.
O único suspiro de criatividade do longa, de fato, é tentar usar religiões de matriz africana para o exorcismo das garotas. No entanto, este é mais um detalhe subaproveitado, onde aparece apenas no início e no final do filme, e que poderia ter sido inserido na narrativa num todo, mas ainda optaram pela já batida religião cristã para a salvação.
Por fim, O Exorcista: O Devoto não chega perto de ser a metade do que o filme original, não só no que diz respeito à técnica ou estética, mas também a criatividade e inovação para o gênero. Apesar do clímax ser bem mais elaborado que o longa num todo, no final das contas a narrativa não chega ser assustadora e envolvente, fazendo que o título morra no esquecimento e se torne um exemplo de como não ressuscitar uma franquia.
Nota: 5/10
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