
O Parque Nacional de Ubajara, localizado na Serra da Ibiapaba, registrou o nascimento de 43 filhotes de Periquito-Cara-Suja, na natureza em 2026. O momento é celebrado pelos ambientalistas pois o último registro da espécie na região ocorreu há mais de 100 anos. As aves são consideradas raras e ameaçadas de extinção.
Os nascimentos são resultado de um projeto de reintrodução da espécie na região encabeçado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBIO), através do Parque Nacional de Ubajara juntamente com Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave). A ação também tem a parceria da ONG Aquasis.
Considerada uma das aves ameaçadas de extinção, o Chefe do Parque Nacional de Ubajara, Diego Rodrigues, detalhou algumas características do pássaro; “Ele é conhecido pela plumagem predominante verde dos periquitos porém ele tem uma característica que o diferencia que é a faixa escura na região da face do rosto e é o que dá origem ao nome popular da espécie; Periquito-Cara-Suja né, a espécie vive principalmente nessas serras úmidas que é o chamado brejo de altitudes, associado aí ao bioma caatinga por exemplo regiões como aqui, o Parque Nacional de Ubajara”, explicou.
O projeto também faz parte de um plano nacional para que aves da Caatinga possam ser conservadas através de estratégias de proteção para essas espécies que são ameaçadas e seus habitats naturais no bioma. Para a reintrodução da espécie, o projeto teve início no ano de 2024, com etapas que envolveram desde a construção de recintos especiais para auxiliar na adaptação do animal.
Segundo Diego exemplares da ave, foram translocados da Região da Serra de Baturité para Ubajara, “esses grupos permaneceram no recinto de aclimatação por um período de 3 a 5 meses, esse período é o que permite ali a adaptação gradual das aves ali ao novo ambiente. Após esse período as aves foram liberadas por meio de uma técnica conhecida como soltura branda. Esse recinto eles tinham um janelão lá em cima, então o janelão é aberto, a gente abre esse janelão e aí as aves começam a sair”, detalhou.
Mesmo após a soltura, as aves continuam sendo monitoradas até que estejam totalmente independentes na natureza, o profissional destaca que ações de educação ambiental também estão sendo realizadas na comunidade; “O projeto também envolve monitoramento contínuo, então a gente faz esse monitoramento contínuo das aves, a gente faz a utilização de armadilhas fotográficas e o acompanhamento de ninhos e também estamos atuando muito forte nas ações de educação ambiental junto às comunidades locais, escolas e os condutores de visitantes”. Disse.
Para Diego, o momento também é de esperança, pois o sucesso do projeto é uma porta para que outras espécies possam voltar à Ibiapaba, “com a estabilidade na comunidade da espécie aqui no Parque Nacional de Ubajara, no futuro a gente já consiga reintroduzir outras espécies, como por exemplo araras, então a gente sabe também que já existiram araras voando aqui na região da Serra da Ibiapaba, então aí fica um sonho pra gente, que não tá tão longe aí da realidade, quem sabe no futuro a gente consegue já aproveitando essa infraestrutura, reintroduzir também outras espécies importantes, chaves que já existiram aqui na região”. Conclui.

