Um levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 1.937 denúncias de assédio eleitoral até segunda-feira (26/10), um dia após o segundo turno das eleições de 2026. Desse total, 946 registros ocorreram no intervalo entre as duas etapas da votação.
No ambiente profissional, o assédio eleitoral acontece quando uma pessoa utiliza sua posição de autoridade para constranger, pressionar ou tentar direcionar as escolhas políticas dos trabalhadores. A prática é considerada crime e inclui tentativas de influenciar o voto, incentivar a abstenção ou exigir apoio a candidatos, partidos e posicionamentos políticos.
Durante o período de campanha, equipes de plantão do MPT atuaram em todo o país para atender às ocorrências mais urgentes. Entre os registros recebidos, predominaram denúncias relacionadas à disputa pela Presidência da República.

Como parte das medidas adotadas para combater essas irregularidades, o órgão ajuizou 59 ações civis públicas ao longo do processo eleitoral. Dessas iniciativas, 52 resultaram em decisões liminares, concedidas de forma provisória para proteger a liberdade de escolha dos trabalhadores. Também foram firmados 53 termos de ajuste de conduta, pelos quais empregadores se comprometeram a não interferir nas decisões eleitorais dos funcionários.
Ações da justiça
Um dos episódios que ganhou destaque durante o segundo turno envolveu o empresário Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás. Nas redes sociais, ele divulgou uma proposta de viagem com todas as despesas pagas para Caldas Novas (GO), destinada a mil apoiadores do então candidato à reeleição, Lula (PT). A iniciativa tinha como finalidade evitar que essas pessoas comparecessem às urnas.
Diante da proposta, a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar para barrar a iniciativa e estabeleceu multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação prevista pela decisão.
Na Bahia, outra ocorrência evidenciou uma das formas mais comuns de assédio eleitoral: impedir que funcionários deixem o trabalho para votar. Após denúncias de que empregados de unidades da Total Atacado em Salvador e Lauro de Freitas não haviam sido liberados no primeiro turno, a empresa foi obrigada judicialmente a estabelecer uma escala que garantisse o exercício do direito ao voto.
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