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Rendimento dos mais ricos é quase 14 vezes maior que o dos mais pobres

A diferença entre a renda dos brasileiros mais ricos e dos mais pobres voltou a crescer em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (08/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) aponta que os 10% mais ricos do país tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa.

O valor é 13,8 vezes superior ao recebido pelos 40% mais pobres, cuja média ficou em R$ 663. No ano anterior, a distância entre os dois grupos era de 13,2 vezes. Apesar da elevação registrada em 2025, o índice ainda representa o segundo menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

Para elaborar o levantamento, o IBGE considerou todas as formas de rendimento dos moradores dos domicílios, incluindo salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras. O valor total foi dividido pelo número de residentes em cada casa.

Rendimento dos mais ricos é quase 14 vezes maior que o dos mais pobres
Foto: Reprodução

Os dados mostram que o aumento da desigualdade entre 2024 e 2025 ocorreu porque o rendimento dos 10% mais ricos avançou 8,7% no período, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, a alta foi menor, de 4,7%.

Ainda assim, quando analisado um intervalo maior, o levantamento indica um avanço entre as faixas de renda mais baixas. Desde 2019, último ano antes da pandemia de Covid-19, os rendimentos dos 40% mais pobres cresceram 37,6%, enquanto os ganhos dos 10% mais ricos aumentaram 11,9%. Entre os 10% mais pobres, a expansão foi ainda maior. O rendimento médio mensal desse grupo passou de R$ 150 em 2019 para R$ 268 em 2025, alta de 78,7%.

Segundo o analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, a melhora observada nos últimos anos está relacionada principalmente ao mercado de trabalho e à ampliação de programas sociais. “Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo”, afirmou.

Desigualdade regional

O levantamento também evidencia diferenças regionais no rendimento da população. Entre os 40% mais pobres do país, a renda familiar mensal média por pessoa ficou em R$ 663. No entanto, o valor alcançou R$ 978 na Região Sul, R$ 846 no Centro-Oeste e R$ 842 no Sudeste. Já as menores médias foram registradas no Nordeste, com R$ 449, e no Norte, com R$ 490.

Na análise por unidades da Federação, o Distrito Federal apresentou a maior diferença entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres, com relação de 19,7 vezes. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 16,4 vezes, e Rio Grande do Norte, com 16,3. São Paulo registrou diferença de 11,9 vezes, ocupando a 12ª posição entre os estados menos desiguais do país. Mato Grosso (9,1) e Santa Catarina (8,4) apresentaram os menores níveis de disparidade.

Índice de Gini

Outro indicador utilizado para medir a desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior a concentração de renda. Em 2025, o índice brasileiro ficou em 0,511, acima do registrado em 2024, quando marcou 0,504.

Apesar da alta, o resultado ainda é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012. Para Gustavo Fontes, o avanço observado no último ano não indica uma tendência consolidada de crescimento da desigualdade.

“Teve uma melhoria em 2024, em 2025 uma leve oscilação para cima, mas se mantendo abaixo dos anos anteriores a 2024, ou seja, mantendo-se próximo do nível mínimo. Eu diria que está próximo da estabilidade, com uma pequena oscilação”, explicou.

A pesquisa também revelou que o rendimento médio das famílias brasileiras cresceu 6,9% em 2025, atingindo o maior valor da série histórica. Além disso, 22,7% dos domicílios brasileiros, cerca de 18 milhões de famílias, receberam algum tipo de benefício social federal, estadual ou municipal no período.

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