Por Yuri Silva

Além do impacto na economia e nos meios sociais, a pandemia também está afetando a estabilidade emocional da população. Pesquisadores do mundo todo avaliam que o efeito causado pela Covid-19 deve durar tempos depois do fim da pandemia, e os cearenses já sentem o peso do estresse. De acordo com dados do Google Trends, entre os dias 04 e 10 de abril, as pesquisas pelo termo “atendimento psicológico” registrou uma alta não vista desde outubro do ano passado.
E o Ceará lidera o ranking de estados com o maior número de buscas do termo durante a última semana do lockdown, instaurado pelo Governo do Estado, além de ser o terceiro estado com mais procura pelo termo “atendimento psicológico online”, atrás apenas do Rio de Janeiro e de Pernambuco.
Segundo o Instituto Centro de Saúde Mental, localizado na Alemanha, alguns fatores que contribuem para o aumento das doenças mentais são as interações sociais limitadas, as tensões que podem ocorrer devido ao excesso de convivência familiar durante o lockdown, e até mesmo o próprio medo da doença.
De acordo com a psicóloga, psicopedagoga e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Juliana Arruda, a ansiedade é um dos resultados mais graves deste período. “As doenças mentais, em especial, a ansiedade, vêm em meio a imprevisibilidade, a falta de controle. Então a gente vive em um momento em que nós não temos mais controle, seja da nossa vida, do que a gente pode fazer, porque dependemos de decretos, de números, e essa falta de previsão são fatores que nos deixam ansiosos”, explica a especialista.
Na última semana, foi aprovado pelo Senado um projeto de lei que torna que cria, na esfera do Sistema Único de Saúde (SUS), um programa específico para acolhimento de pessoas em sofrimento emocional causado pela pandemia de Covid-19. O projeto foi apresentado pelo senador Acir Gurcacz ainda no ano passado. “Quando apresentei esse projeto, não poderia imaginar a dimensão e os impactos dessa pandemia na saúde das pessoas, em especial a saúde mental. De lá para cá, nós aprendemos muito com o que aconteceu durante o ano passado todo e este ano”, declarou Gurgacz.
#Vaidarcerto

A Organização Mundial da Saúde disponibiliza um documento com dicas e sugestões para a diminuição dos efeitos negativos que o isolamento pode ocasionar. Algumas das recomendações incluem reduzir o consumo de informações sobre a Covid-19 que podem trazer estresse ou ansiedade e divulgar histórias positivas, como os de pessoas que foram acometidas pelo vírus e se recuperaram. A dica da Juliana não é muito diferente. “Sempre pense que vai dar certo, que tem como reverter. Devemos ser mais flexíveis, ser menos perfeccionistas, cobrar menos de nós mesmos e aproveitar o tempo para o autoconhecimento”, destaca a psicóloga.


