Plano foi alinhado com os principais credores e prevê aporte de R$ 50 milhões, com Itaú, Akron e Vega como financiadores
A Chilli Beans, maior rede de óculos escuros da América Latina, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 340 milhões. O documento foi protocolado na sexta-feira (30). A empresa foi fundada em 1997 por Caito Maia.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia o plano diretamente com os credores e depois o submete à Justiça. No caso da Chilli Beans, o acordo já foi alinhado com os principais credores e prevê um aporte de R$ 50 milhões para reforçar o caixa. O Itaú, a Akron e a Vega atuam como financiadores âncoras e coordenam a entrada dos recursos.
Como a crise chegou à Justiça
A rede tem cerca de 900 franquias em 14 países. A situação financeira se agravou no fim de setembro, quando a Vert Securitizadora declarou o vencimento antecipado de uma debênture de R$ 89 milhões, em nome da Mustang 25 Participações, controladora da Chilli Beans. A emissão tinha prazo até janeiro de 2029.
A debênture foi emitida em fevereiro de 2025. A empresa deixou de pagar as parcelas de julho e agosto, que somavam R$ 16,5 milhões e têm Caito Maia como avalista. Em assembleia no dia 10 de agosto, os debenturistas prorrogaram o pagamento para 25 de setembro, mas os valores não foram quitados. A Vert notificou a devedora, que não pagou dentro do prazo de dois dias úteis, e o vencimento antecipado foi declarado.
Os debenturistas deram mais prazo à empresa, que terminou em 26 de outubro. Segundo o NeoFeed, a Chilli Beans também descumpriu um acordo anterior para quitar cerca de R$ 1 milhão em atrasados, e a Vert recuperou o valor com o saldo de uma conta retida.
Mudança na gestão
No fim de agosto, Caito Maia anunciou a chegada de André Dela Togna para a vice-presidência da empresa, inicialmente apresentado como co-CEO, com a missão de conduzir a reestruturação financeira. Na época, o NeoFeed revelou que a companhia já tinha um rascunho de plano de recuperação pronto.
Segundo o NeoFeed, na semana passada a empresa determinou que os funcionários assinassem um termo de confidencialidade, sob risco de desligamento e multa de R$ 300 mil.
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