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A Noite das Bruxas evolui a franquia, mas não a melhora (Crítica)

Mais uma vez dirigido e estrelado por Kenneth Branagh (Belfast), A Noite das Bruxas é a terceira adaptação dos livros escritos por Agatha Christie. Diferente dos projetos anteriores, agora vemos pela primeira vez na franquia uma história verdadeiramente interessante e mais ousada, mesmo ainda não sendo o ideal. 

Assim como em Assassinato No Expresso do Oriente e Morte no Nilo, acompanhamos o famoso detetive Hercule Poirot entrando em um caso quando menos espera. Porém, diferente dos dois filmes anteriores, vemos o protagonista não querendo ter mais essa vida de detetive, e este novo mistério em Veneza o puxa de volta para testar não só suas habilidades no meio detetivesco, mas também no que ele acredita ser real ou não.  

Por ser uma pessoa muito cética, Poirot desdenha deste novo caso, visto que envolve supostos fantasmas. Sabendo disso, Branagh em sua direção coloca elementos de terror na narrativa, não apenas para desenvolver esse ponto do personagem, mas também colocar o espectador no clima do projeto. Apesar de não serem os melhores elementos de terror, são detalhes que fazem o filme ficar mais interessante, juntamente com o cenário e a fotografia.

No entanto, mais uma vez a franquia inspirada nos livros de Agatha Christie não consegue fazer com que seus personagens sejam identificáveis. Ou seja, apesar de ser divertido ver como Poirot é um grande detetive, A Noite das Bruxas não vai fazer você se identificar ou se importar com ele, visto que ele é tratado unidimensional, sendo apenas um investigador muito cético. 

Esse problema não é exclusivo do personagem de Kenneth Branagh, em A Noite das Bruxas temos atores relevantes, como Michelle Yeoh e Jamie Dornan, onde interpretam pessoas importantes para a história, mas que não são interessantes ao ponto do espectador se envolver e se importar com o que ocorre com eles na narrativa.

A narrativa investigativa é competente, com reviravoltas interessantes e sempre colocando em dúvida se os detalhes paranormais que acompanhamos são verdadeiros ou não. Isso faz com que A Noite das Bruxas se destaque na franquia, contudo, não efetiva ela como um grande exemplo de história detetive na atualidade.

Mesmo com direção, fotografia e design de produção superiores aos títulos anteriores, A Noite das Bruxas não consegue ser uma história de detetive marcante como outras do gênero nos últimos anos, como Entre Facas e Segredos, Os Suspeitos e até mesmo Batman, de Matt Reeves.

Por fim, A Noite das Bruxas é, provavelmente, o melhor e o mais interessante filme da franquia inspirada nos livros de Agatha Christhie, onde possui bons requintes de terror, fora a já esperada decente narrativa de detetive. Contudo, possui personagens desinteressantes, alguns beirando a chatice, fazendo com que o projeto, que já não espetacular, se torne massante.

Nota: 6/10