Dirigido por Wes Anderson (Grande Hotel Budapeste), Asteroid City chega aos cinemas brasileiros mostrando como a vida é estranhamente inusitada, e como devemos aprender com tudo que ocorre, mesmo com os acontecimentos mais absurdos.
Seguindo o seu estilo de imagem praticamente teatral, Asteroid City mostra o personagem de Edward Norton (O Clube da Luta) criando o roteiro justamente de uma peça de teatro, onde a narrativa utiliza da metalinguagem para intercalar entre momentos da história dentro e fora deste roteiro.
No decorrer do filme vamos conhecendo o tradicional elenco estrelado que Wes Anderson possui em seus projetos. Porém, aqui a história gira praticamente em torno dos personagens do núcleo de Jason Schwartzman (Três É Demais), que fica preso com sua família em uma cidade no meio do deserto. Neste lugar o homem recém viúvo revela para seus quatro filhos o falecimento de sua mãe, e acompanhamos como isso afeta cada um.
Três dos filhos são garotas que estão praticamente negando a morte de sua mãe. Mas o grande destaque para o processo de aceitação da perda de um familiar é do filho mais velho interpretado por Jake Ryan (Moonrise Kingdom), que por ser um personagem introspectivo, precisa usar detalhes minuciosos em sua atuação para mostrar como está reagindo a esse processo. Além disso, é muito através do mesmo que percebemos a mensagem do longa, onde no meio daquele deserto cheio de pessoas esquisitas, ele aprende a lidar melhor com seus sentimentos.

Já seu pai, através da relação com a personagem de Scarlett Johansson (Viúva Negra), vai também lidando com a morte de sua esposa. Porém, não apenas isso, o ator dentro dessa peça teatral também se questiona o porquê esta pessoa que ele vive está passando por toda essa provação. Sendo isso, na minha visão, quase uma mensagem do diretor, querendo dizer para o público tentar se envolver melhor com os personagens que ele cria, visto que o público popular não se identifica muito com a histórias criadas por Wes Anderson.
Por fim, apesar de uma mensagem interessante, este novo filme do cineasta é mais uma vez uma história maçante e com personagens dificilmente identificáveis, fora o humor que Anderson sempre utiliza, que, mesmo sendo do meu agrado, é sempre desgastado com o decorrer da narrativa. Apesar de encher os olhos, a incrível fotografia do diretor não consegue sustentar sua história, que da metade para o final, se torna enjoada.
Também leio nossas críticas de Loucas em Apuros, Barbie e Mansão Mal Assombrada.
Nota: 7/10


