O percentual de famílias endividadas em Fortaleza permaneceu estável em maio de 2026, segundo pesquisas divulgadas pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC). Ao mesmo tempo, os indicadores apontam que a confiança do consumidor continua em nível considerado otimista na Capital.
Conforme a Pesquisa de Endividamento do Consumidor, 72,4% dos fortalezenses possuem algum tipo de dívida. O índice ficou um ponto percentual acima do registrado em abril, quando atingiu 71,4%, e também superou o resultado observado em maio do ano passado, de 67,6%.
O levantamento revela que o perfil predominante entre os consumidores endividados é formado por homens (73,2%), pessoas entre 25 e 34 anos (76,8%) e famílias com renda de até três salários mínimos (72,9%). O cartão de crédito segue como principal modalidade utilizada, citado por 80,9% dos entrevistados. Na sequência aparecem financiamentos bancários (16%) e empréstimos pessoais (10,8%).

Apesar do aumento no número de endividados, a proporção de consumidores com contas em atraso caiu para 20,3%, resultado inferior ao registrado em abril, de 22,2%. Ainda assim, o índice permanece acima do observado no mesmo período de 2025, quando marcou 19,6%. O atraso médio das dívidas continua em 75 dias.
Entre os principais fatores apontados para o não pagamento das contas estão o desequilíbrio financeiro, mencionado por 50,9% dos entrevistados, o adiamento de despesas para priorizar outros compromissos financeiros (41,4%) e o esquecimento do vencimento das contas (9,9%).
Já a taxa de inadimplência potencial, indicador que mede a dificuldade dos consumidores em quitar dívidas, ficou em 9,8% em maio. O percentual apresentou recuo em relação a abril, quando atingiu 10,6%, mas segue acima do índice registrado no mesmo mês do ano passado, de 9,2%. Segundo os dados, esse perfil de consumidor é majoritariamente composto por mulheres (10,7%), pessoas acima de 35 anos (12,5%) e famílias com renda inferior a três salários mínimos (10,9%).
A pesquisa também aponta que, em média, 42,5% da renda familiar está comprometida com dívidas. O valor médio do endividamento foi estimado em R$ 1.872, com prazo médio de nove meses para quitação. Alimentação (61,5%), saúde (31,3%), aluguel residencial (28,1%) e vestuário (24,8%) aparecem entre os principais gastos responsáveis pelo endividamento.

Mesmo diante desse cenário, 74,9% dos consumidores afirmaram realizar planejamento financeiro mensal e acompanhamento das despesas. Os dados indicam uma maior preocupação com o controle do orçamento doméstico.
Confiança do consumidor
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Fortaleza registrou 121,9 pontos em maio, se mantendo praticamente estável em relação ao mês anterior, quando marcou 122,1 pontos. Apesar da leve retração mensal, o indicador continua acima do registrado em maio de 2025, de 118,3 pontos, permanecendo em faixa considerada otimista.
O desempenho foi impactado pela queda de 2,3% no Índice de Situação Presente (ISP), que passou de 115,4 para 112,7 pontos. Em contrapartida, o Índice de Expectativas Futuras (IEF) avançou 1,2%, alcançando 128,1 pontos.
O levantamento mostra ainda que 51,8% dos entrevistados consideram o momento atual favorável para a compra de bens duráveis. O índice é maior entre consumidores de 25 a 34 anos (58,4%) e famílias com renda superior a sete salários mínimos (63,9%).
Além disso, 76,7% afirmaram que a situação financeira atual está melhor do que há um ano, enquanto 87,6% acreditam em melhora nos próximos meses. Em relação ao cenário econômico nacional, 61,3% demonstraram expectativa positiva para os próximos 12 meses.

A intenção de compra ficou em 35,2%, praticamente estável na comparação com abril (35,5%) e acima do percentual registrado em maio do ano passado (32,7%). O valor médio das compras foi estimado em R$ 638,14, com destaque para geladeiras e refrigeradores (20,4%), vestuário (15,7%), móveis (14,8%), televisores (14,6%) e celulares (13,6%).
Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, os dados indicam um consumidor mais cauteloso, embora ainda disposto a consumir. “Os dados revelam um cenário de maior atenção das famílias ao orçamento, especialmente diante do peso das despesas essenciais. Ao mesmo tempo, a confiança segue elevada e sustenta a intenção de consumo, mostrando que o consumidor continua otimista em relação ao futuro, mesmo mantendo uma postura mais prudente no presente”, avalia.
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