Uma operação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública resultou na apreensão de 415 celulares em presídios de 18 estados brasileiros durante quatro dias de fiscalização. Conforme o Governo Federal, os aparelhos eram utilizados por integrantes de facções criminosas para manter contato com comparsas fora das unidades e ordenar crimes nas ruas.
Realizada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), a 11ª fase da Operação Mute contou com apoio das polícias penais estaduais e do Distrito Federal. Ao todo, 49 presídios foram alvo das inspeções, alcançando unidades que concentram quase 50 mil detentos.
Entre os dados divulgados pelo Ministério da Justiça, um dos que mais chamou atenção foi a quantidade de celulares encontrados nas celas. Segundo o balanço oficial, um aparelho foi apreendido a cada quatro espaços revistados.

Consideradas estratégicas pelas forças de segurança, as unidades fiscalizadas possuem histórico de atuação de organizações criminosas. De acordo com a pasta, os celulares são usados por facções para coordenar ataques, transmitir ordens e manter comunicação clandestina mesmo com lideranças presas. Durante as revistas, os agentes penitenciários também recolheram outros materiais ilícitos encontrados dentro das unidades. Dados do Governo Federal apontam que os presídios fiscalizados abrigam 49.813 internos.
Ao comentar as ações, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo pretende reforçar tanto as medidas estruturais de combate ao crime organizado quanto ações voltadas a problemas que impactam diretamente a população.
“A gente deseja fazer também uma política de segurança pública de dupla velocidade, que é cuidar das medidas estruturantes, como estamos fazendo com o programa de combate ao crime organizado, mas também cuidar das questões que afligem a população no dia a dia, como é a questão dos celulares e outras questões, das fraudes, e cuidar desse flagelo que precisa de fato ser superado, que é a questão do feminicídio”, disse o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Operação Mute
Inserida no programa Brasil contra o Crime Organizado, a Operação Mute integra o pacote federal que prevê mais de R$ 11 bilhões em investimentos na segurança pública. O principal objetivo da iniciativa é interromper a comunicação ilegal dentro do sistema penitenciário brasileiro.
Dentro desse planejamento, o Governo Federal pretende ampliar o nível de segurança nos presídios estaduais. A meta é aproximar parte dessas unidades do modelo adotado nas penitenciárias federais de segurança máxima. Para fortalecer as fiscalizações, o Ministério da Justiça informou ter investido R$ 59 milhões em tecnologias e equipamentos especializados. As operações utilizam bloqueadores de sinal, scanners corporais, aparelhos de raio-X, drones, sistemas eletrônicos de monitoramento e georradar.
Além da compra de equipamentos, o governo também pretende investir na capacitação dos profissionais que atuam no sistema prisional. “Nós estaremos fazendo um investimento em equipamento e também estaremos formando o pessoal de modo adequado com base no sistema penitenciário federal, que é exemplo internacional”, declarou.
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