
Os estudos da paleontologia na Região da Ibiapaba, norte do Ceará, ganhou mais um capítulo com a descoberta de um novo fóssil com cerca de 430 milhões de anos do período Siluriano. A descoberta ocorreu em um local, onde provavelmente ninguém imaginaria que guardasse um registro de tempos tão importantes para a vida de todo o planeta, o registro geológico estava armazenado em uma rua na cidade de Tianguá.
O registro foi notado por uma moradora do município e a partir disso, ocorreu a comunicação entre população e a Universidade Vale do Acaraú (UVA), pesquisadores da instituição foram até o local e realizaram as análise em torno da possível descoberta como detalha Jarbas Negreiros, professor e coordenador do laboratório de Paleontologia da UVA; “Esse fóssil estava sendo exposto no centro e estava sendo deteriorado. Já tinha marcas de destruição e acabou que fomos até o local e de fato confirmamos que era o fóssil e que precisava de medidas urgentes de proteção a esse patrimônio”. Explicou.
A respeito do que se trata de fato o achado, os pesquisadores detalham que é um icnofóssil, que diferente dos fósseis corporais, é na verdade um registro da atividade ou comportamento dos animais no meio ambiente que ficou preservado.
Ao realizarem a observação, os pesquisadores chegaram a conclusão que os vestígios possuem anéis corporais, encontrados em artrópodes e minhocas, “a conclusão que nós chegamos sobre os bichos que formaram esses rastros, a gente chega à conclusão que são, na verdade, vermes marinhos que pertencem a um desses grupos, ou anelídios ou artrópodes. Lembrando também que a ciência dá nome para esses rastros, o nome desses rastros a gente chama de atróficos, que são rastros de vermes marinhos”. Detalhou Jarbas.
Potencial da Serra da Ibiapaba
Diversos achados de importância foram encontrados na maioria dos municípios serranos, contribuindo para os estudos sobre a região. Um dos fatores que tornam a Ibiapaba um local propício para esse tipo de descoberta é a sua formação, constituída principalmente por rochas sedimentares, que são as principais rochas que preservam os fósseis; “na maior parte das cidades da Serra já foi encontrada registros de fósseis, com exceção de São Benedito e Ibiapina, por exemplo, o Parque Nacional de Ubajara já tem um histórico dentro do campo da paleontologia, Viçosa do Ceará, foi encontrado também muitos exemplares bacanas em uma grande quantidade”. Informou o pesquisador.
Ainda segundo o docente, o fóssil tem uma importância maior pelo seu bom estado de conservação; “A gente encontra vários exemplares que são mais desgastados por conta das questões naturais, a questão da temperatura, da água, então o intemperismo, a erosão, tudo isso faz com que muitos fósseis fiquem mais desgastados. Então do ponto de vista de detalhes, sim, a gente pode dizer que é um episódio raro”, conclui.


