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Imigração cresce no Brasil e desafia políticas públicas de trabalho e inclusão

Mais de dois milhões de imigrantes internacionais vivem atualmente no Brasil, entre residentes permanentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio. O grupo reúne cerca de 200 nacionalidades espalhadas por todo o país, com destaque para venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. Entre eles, os venezuelanos somam cerca de 680 mil pessoas no início de 2026, com predominância de mulheres e crianças.

Divulgado na última quinta-feira (30/04), o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) reúne dados atualizados e recomendações para aprimorar a integração dessa população. O estudo foi apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e deve subsidiar a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), instituída em 2025.

Migração cresce no Brasil e desafia políticas públicas de trabalho e inclusão
Foto: Divulgação/ACNUR

Com base em diferentes indicadores, o levantamento analisa fluxos migratórios, perfil demográfico, distribuição territorial e estratégias de regularização. Também examina a inserção de migrantes, refugiados e apátridas nas áreas de trabalho, educação, proteção social e governança.

Trabalho

No mercado de trabalho, o relatório aponta crescimento de 54% no número de migrantes com vínculo formal entre 2023 e 2025, ultrapassando 414 mil trabalhadores. A maior parte está concentrada na indústria, especialmente na região Sul. Venezuelanos lideram as contratações, seguidos por haitianos e cubanos.

Apesar do avanço, ainda há desafios na inserção profissional. Muitos migrantes com ensino superior ocupam funções de baixa qualificação, o que evidencia a necessidade de reconhecimento de diplomas e redução de barreiras institucionais. A informalidade também é alta no trabalho doméstico, onde, em 2024, 78,8% atuava sem carteira assinada.

Migração cresce no Brasil e desafia políticas públicas de trabalho e inclusão
Foto: Ministério da Justiça

Além disso, o aumento da demanda por mão de obra estrangeira tem relação com o cenário de pleno emprego no país, segundo o MJSP. Autoridades alertam, no entanto, para riscos de exploração laboral e defendem políticas de qualificação associadas à interiorização dos migrantes.

Social

O número de migrantes inscritos no Cadastro Único cresceu de 562 mil para 650 mil entre 2023 e 2024. A maioria é formada por mulheres, com aumento no número de crianças e adolescentes, indicando maior presença de famílias no sistema de assistência.

Em relação ao acesso a benefícios, o estudo aponta ampliação da participação em programas como o Bolsa Família, mas recomenda maior agilidade na concessão e melhorias na gestão das filas. Geograficamente, a população migrante está concentrada em poucos estados. São Paulo lidera o número de registros, seguido por Paraná e Roraima, além de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como polos de atração.

No campo educacional, o crescimento das matrículas é uma realidade. Entre 2010 e 2024, o número de estudantes imigrantes na educação básica e em outras modalidades aumentou mais de quatro vezes. No ensino superior, também houve expansão, embora persistam desafios como barreiras linguísticas e adaptação dos sistemas educacionais.

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