Por Yuri Silva
Em tempos de pandemia, quando a demanda pelos serviços digitais aumentou consideravelmente, os debates a respeito da segurança na internet têm se tornado cada vez mais frequente. As transições bancárias, envios de documentos, e até mesmo a interação social têm ocorrido por vias tecnológicas, para evitar a proliferação do vírus da Covid-19.

Mas com o aumento do uso dessas ferramentas, o perigo também aumenta. No último ano, a ocorrência de vazamento de dados tem se tornado cada vez mais comum. A última grande polêmica aconteceu neste domingo de páscoa (04/04), quando informações pessoais de usuários do Facebook foram vazados. Ao todo, 533 milhões de pessoas que tiveram números de telefone, localizações, nomes completos, datas de nascimento, biografias e e-mails vistos sem o consentimento.
Para aumentar o nível de segurança dos leitores, o “A Notícia do Ceará” conversou com Flavio Elizalde, head da empresa americana de software de segurança McAfee, no Brasil, que deu algumas dicas de como evitar a perda de dados na nuvem.
“As pessoas precisam estar alertas sobre com quem compartilhar seus dados e também em quais links devem clicar. Quando estiverem usando rede de Wi-Fi pública ou compartilhada, por exemplo, é sempre importante utilizar uma VPN“, afirma Flávio. A VPN (sigla para “Virtual Private Network”, ou Rede Virtual Privada, em tradução livre) é um serviço que utiliza criptografia especializada para aumentar a segurança e a privacidade entre o usuário e o servidor da rede ao qual está conectado.
“Ela protege sua identidade e informações financeiras criptografando ou embaralhando os dados que fluem pelo túnel e pode mascarar sua verdadeira localização, fazendo com que pareça que você está se conectando de outro lugar”, destaca o head da McAfee. Ao não optar por uma VPN, o servidor da internet tem livre acesso às informações do usuário, como a localização, por exemplo.
Crianças na internet:

Outra preocupação que aumentou neste período de pandemia foi o risco que as crianças podem correr ao utilizar as mídias sociais, especialmente pois, agora, elas estão passando cada vez mais tempo em casa. Para Flavio Elizalde, a melhor maneira de proteger os pequenos é tendo uma conversa honesta e franca a respeito das ameaças encontradas no mundo virtual.
“Alguns temas de conversas significativas que podemos ter com nossos filhos: bullying, golpes online, fraude de identidade, discurso de ódio, exclusão – todas devem ser abordadas, mas temos que fazê-lo de maneiras que sejam importantes para as crianças”, aconselha. Flavio lembra também a importância das senhas de acesso: “Cada aplicativo, conta online ou software precisa de sua própria senha individual. Sim, eu sei que é uma dor real, mas é uma das coisas mais importantes que você fará para se proteger online”.
Além das palavras chaves, é preciso atentar-se para a atualização dos softwares e ter cautela ao se conectar a uma rede de Wi-fi. Segundo Flavio, “o Wi-Fi duvidoso é o lugar onde tantas pessoas se perdem. Independentemente de qual aplicativo ou software você está usando, qualquer coisa que você compartilhe via Wi-Fi desprotegido pode ser interceptado por um hacker.”
Mas além das dicas de segurança, é importante destacar que deve haver limites no uso dos smartphones e aparelhos eletrônicos por parte dos pais. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que crianças com idade entre 3 e 5 anos não devem passar mais de uma hora por dia em frente a uma tela. E criança com ou acima de 6 anos devem ter horários limites estabelecidos para o uso. “Ajude seus filhos a desenvolver habilidades e relacionamentos que não dependem de telas. Preencha seu tempo com atividades que construam amizades face a face e desenvolvam seus talentos individuais”, finaliza o head da McAfee.
Não há dúvidas de que a tecnologia tem sido uma ferramenta essencial na amenização dos prejuízos causados pela pandemia, seja a ausência de crianças nas escolas ou a impossibilidade do comparecimento ao local de trabalho. Dessa forma, está claro a importância de manter este ambiente um lugar saudável e seguro, para nós e para a geração posterior.


